Thursday, February 16, 2012

Metade.


Depois de três meses de inverno no Canadá, 0°C é calor. Nada de casaco, cachecol, touca e luvas.  Frio mesmo é de -10 para baixo, se tiver vento. Já deu tempo de aprender que sol é sinônimo de frio, e que neve significa que a temperatura vai subir. Já não tenho dúvida de que um dia inteiro nevando é melhor que uma hora de chuva, porque a chuva congela no chão, e as calçadas se transformam em pistas gratuitas de patinação no gelo.

Em 12 semanas andando por aí, raramente encontro algum animal de rua. Se em um primeiro momento isso se explica pelo povo consciente que não abandona seus bichinhos de estimação, logo se descobre que os animais de rua simplesmente não sobrevivem ao frio. Por outro lado, não é necessário mais que um dia para notar que a população de esquilos no Canadá é maior que a de seres humanos. Mas 12 semanas não são o suficiente para deixar de achar que esquilos são as coisas mais lindas do mundo, nem para aceitar o fato de que aquelas gracinhas são pragas transmissoras de doenças, quase equivalentes aos ratos no Brasil.

Durante os 93 dias que passei em Montréal até agora, proporcionalmente convivi com mais brasileiros do que nos outros 8187 dias da minha vida (não vou enganar ninguém com esse “proporcionalmente” ali; realmente convivo com mais brasileiros aqui do que no Brasil). Na minha escola, só de Florianópolis, conheci seis. Do Campeche, dois. Do resto do país, perdi a conta quando passou de quarenta. E ficou muito claro que o que une todos os brasileiros no exterior é uma mesma paixão. Não, não é o amor pelo futebol, nem o carnaval, nem o calor, nem as praias, nem o churrasco, nem mesmo o feijão com arroz. É o brigadeiro.

Em quase 2250 horas vividas aqui, devo ter passado por volta de 30 horas lendo os jornais de Montréal, que são gratuitos. Foi assim que eu aprendi a utilizar o verbo no modo condicional em francês, antes de me ensinarem na escola. Sim, a desgraça do condicional teria afetado a imprensa francófona também. Ninguém está imune.


Três meses, já.
Metade já foi.

4 comments:

Anonymous said...

Bel, show! estou acompanhando! Dani Mussatto

Luciene e Walfredo Kumm said...

Concordo em tudo com vc, só vivendo fora para dar valor ao brigadeiro!!! bjs

Nanci said...

Eu não sabia que o número era 8187 mas sei que foram os melhores da minha vida.

Bel Humenhuk. said...

oun, mãe. ♥