Sunday, June 12, 2011

Post orgânico.

Até o final do ano passado, meu único contato com comida verdadeiramente natureba consistia nas minhas idas esporádicas ao Empório Natureba dois anos atrás, aquele lugar que cheira a gengibre com anis. Mas aí, depois do diagnóstico da minha mãe, minha casa virou um Lar Natureba.

Digo, sempre fomos pessoas relativamente saudáveis: nunca abusamos de frituras; frutas, verduras e cereais sempre fizeram parte da alimentação. Quando morávamos em Joaçaba, antes de vir pra Florianópolis, meu pai tinha uma horta imensa e bastante produtiva, e passávamos meses e mais meses comendo pepino. Muito pepino.

Apesar disso, fui uma criança feliz desfrutando os prazeres do chocolate, do refrigerante, da pizza, da pipoca e da batata frita. E vivia assim, nesse equilíbrio entre o natural e o gostoso (com a sorte de ter sido abençoada com um metabolismo rápido).

Mas quando uma pessoa na sua família mais próxima está com câncer, os costumes mudam. A rotina muda. As prioridades mudam. A vontade de mandar todo mundo parar de reclamar de besteira e calar a boca porque é tudo frescura aumenta. A vontade de reclamar de besteira aumenta também. Os tópicos de conversa durante o almoço mudam. E, sim, a alimentação muda.

Existe uma linha divisória imaginária entre o natural e o natureba. Comer arroz integral, alface, brócolis, tomate, peixe, laranja, manga, ameixa, faz de você uma pessoa natural. Comer quinoa, feijão azuki, frango orgânico, couve de bruxelas, carne de soja, passar geléia de mirtilo no pão integral de 18595638 grãos, usar açúcar demerara e xarope de agave, tomar suco de laranja com carambola e kiwi e beterraba e cenoura e couve, tudo orgânico e com uma pitada de gengibre, faz de você uma pessoa natureba.

Eu tento manter aquele antigo equilíbrio, agora entre o gostoso, o natural e o natureba. Batalhei pra poder usar açúcar cristal branco em casa, não me rendi ao pão integral, e continuo achando que gengibre só devia ser usado como castigo de crianças muito, muito más. Tipo "senta aí e masca esse gengibre enquanto pensa no que fez". As crianças seriam todas boazinhas. Mas esses dias percebi que gosto mais de quinoa do que de arroz, e que, por escolha própria, meu lanche da tarde eram umas bolachinhas de leite com aveia e de mel com cacau, e não pipoca ou chocolate, e que eu estava tomando chá, e não refrigerante.

Socorro.

Alguém me dá Sprite e uma barra de Diamante Negro, por favor.

3 comments:

Marco Y said...

Não ficou claro quem está doente, mas desejo a esta pessoa toda sorte do mundo e pronta recuperação.

Em relação a sua alimentação, também desejo que encontre o equilíbrio entre o saudável e o gostoso. Mesmo em momentos difíceis, talvez seja bom ser dar aos pequenos prazeres da comida.

Eu acredito que a comida pode ser uma porta para se entender uma cultura, um religião e também ser uma celebração entre pessoas queridas.

Abraços e boa sorte

Caio McFearless said...

Ah, adoro seu blog! Ri bastante com esse post.

É a sua mãe que tem câncer ou eu não compreendi bem? Poxa, fiquei preocupado. Ela é um gênio (já te disse isso).

Kelly Zanin said...

oi Bel nunca tinha acompanhado seu blog todo e estou lendo as postagens antigas e gostando muito...Sobre essa alimentação natureba ri demais..
Deus te abençoe querida..