Wednesday, April 13, 2011

Dia 10 (finalmente): Menções honrosas

Nesta série de posts, muitos livros bons acabaram ficando de fora. Por isso resolvi terminar citando mais alguns que me marcaram de alguma forma:

O Sol é Para Todos: É um livro lindo com uma história tocante, escrita por Harper Lee em 1960. Trata da injustiça racial e do preconceito, se passa numa pequena cidade rural do sul dos Estados Unidos, e é narrada por uma criança. Os personagens são marcantes, daqueles que acabam fazendo parte da sua vida depois. O livro ganhou o prêmio Pulitzer, e a adaptação para o cinema é considerada um clássico. Se eu tivesse feito o post "livro que mais recomendo", que estava na idéia original dos dez posts, teria indicado essa obra.

O Caso do Olho de Vidro: Romance policial bem despretensioso, daqueles que servem pra distrair mesmo. O personagem principal é o advogado criminal Perry Mason, que protagonizou 86 dos quase 150 livros escritos por Erle Stanley Gardner (somando os livros que escreveu com sete pseudônimos diferentes). A leitura é leve e a história acaba sendo cômica. Ótimo entretenimento pra quem gosta de histórias de detetives.

Fama & Anonimato: O Gay Talese me deprime porque ele escreve tudo que eu queria e não sei escrever. O texto é impecável, e em 494 páginas parece que não tem nenhuma palavra sobrando ou fora de lugar. Eu achava que o melhor dele era ter escrito o perfil do Frank Sinatra sem falar com o Frank Sinatra, mas aí li o perfil de Nova York e fiquei maravilhada. E o melhor foi ter encontrado esse livro no sebo por R$ 15. Os livros do Gay Talese são muito caros em livrarias. E, pra ser justa, valem o que custam.

O Mistério do Cinco Estrelas:  Optei por este por ser o primeiro, mas poderia ter colocado aqui qualquer um dos 15 livros do Marcos Rey na Série Vagalume. Foi ele que me interessou por literatura quando eu tinha meus 10, 11 anos. As histórias eram cheias de suspense, mistério e assassinatos, e nada infantis. Leo, Ângela e Gino, protagonistas dos meus livros preferidos, fizeram parte da minha adolescência.

Autobiografia, da Agatha Christie: Pra mim esse livro foi um tipo de prêmio por ter lido quase todos os outros que ela escreveu (isso na época, porque agora já li todos, ou pelo menos tudo que foi publicado no Brasil). Ao ler a autobiografia pela primeira vez (já li três), fiquei com a impressão de ser amiga da Agatha, de estar sentada com ela tomando chá enquanto ela contava histórias antigas. A narrativa é de uma simplicidade agradável, e a Agatha não respeita muito a ordem cronológica, a não ser pelo fato de começar contando histórias aleatórias de sua infância. Ainda gosto de folhear o livro e ler qualquer trecho que apareça primeiro, porque todos são bons:
Adorava "problemas"! Apesar de serem somas disfarçadas, possuíam um encanto intrigante: "John tem cinco maçãs, George tem seis; se John tirar duas maçãs a George, quantas terá George no fim do dia?" E assim por diante. Hoje em dia, pensando nesses problemas, sinto uma vontade quase irreprimível de responder: "Depende do quanto George gosta de maçãs".
Agatha Christie, falando sobre seu gosto pela matemática na infância.


E assim, depois de muito tempo, finalmente termino a série de posts sobre livros.

4 comments:

Fabricio C. Boppré said...

Marcos Rey! Lembro do meu entusiasmo com o "Enigma na Televisão", tentando convencer todos os adultos ao redor a lerem, pois aquilo não devia ser um livro somente infantil, devia ser um dos melhores livros de todos os tempos! [risos]

Bel Humenhuk. said...

Haha, eu fazia minha avó e minha tia lerem esses livros do Marcos Rey. O Caso da Estranha Fotografia, da Stella Carr, convenci todo mundo em casa a ler. Achava o máximo.

Fabricio C. Boppré said...

Puxa, Stella Carr! Procurando no canto ali da estante onde estão os livros da infância, achei: "Estranhas Luzes no Bosque". Outra lembrança: quando eu li "Os Passageiros do Futuro" (Wilson Rocha), da coleção Vagalume, eu só fiquei pensando que alguém deveria fazer um filme com aquela história, seria o filme de ficção científica mais legal de todos os tempos. Outro da coleção Vagalume cheio de ótimas lembranças: "A Ilha Perdida" (Maria José Dupre). Quando li, de alguma forma, eu criei uma associação da ilha do livro com uma ilha real que tem na Tapera, praia que frequentava quando pequeno. Achava que o livro se desenrolava ali mesmo, de verdade...

Bel Humenhuk. said...

Poxa, li todos esses. Outro dos meus favoritos era O Escaravelho do Diabo, da Lúcia Machado de Almeida. Acho que o título me impressionou.
Hoje em dia compro alguns dos que eu mais gostei da vagalume em sebos, pra matar a saudade.