Monday, October 12, 2009

#tuitesuainfancia

Fui uma criança que ouvia e gostava muito de música clássica. Aos três anos eu comuniquei aos meus pais meu desejo de fazer aulas de flauta, e aos cinco comecei. Com essa idade, queria ser contadora de histórias quando crescesse. Nunca quis ser professora. Eu assistia a programação da TV Cultura, e só descobri que o Professor Tibúrcio e o Telekid eram o Marcelo Tas muitos anos depois. Todas as minhas noções de direita e esquerda, em cima e embaixo, maior e menor vêm de Rá-Tim-Bum. O alfabeto também. Nunca aprendi com a Xuxa (e tive uma infância mágica mesmo assim, Davis).
Eu brincava de falar inglês, assistia Lois & Clark, Doug, Castelo Rá-Tim-Bum, As Aventuras de Tintim, Pingu e o Programa do Hugo. A única novela que eu vi na vida foi Carrossel, a antiga, nos bons tempos de Maria Joaquina e Cirilo. Eu subia em árvores, nadava no rio, acampava, tomava banho de cachoeira, nunca gostei de brincar de casinha e de boneca, e fazia guerra de bolinha da árvore sinamão com os meus primos. Sempre terminava quando algum de nós começava a chorar porque tinha levado uma na cara.
Jogava videogame no meu Super Nintendo, que ainda acho muito mais legal que qualquer PlayStation da vida. Tinha medo de mexer no computador e estragar alguma coisa, e me mantinha muito, muito longe da internet. Internet não fazia falta nenhuma pra criança. Bons tempos.
Comecei a aprender as letras em viagens, olhando as placas dos carros na estrada. Não gostava de Humenhuk, era muito difícil escrever isso. Fui só Isabel H. por muito tempo. Minha mãe me fazia conjugar verbos aos três anos. Eu gostava. Tinha assinatura dos gibis da Turma da Mônica, e uma vez por mês eu lia os cinco gibis em um dia só. Ainda sei quais são as minhas histórias preferidas (Uma Cebola Nua, com o Cebolinha e o Louco, Uma História Louclássica, com o Louco e o pai do Cebolinha, envolvendo compositores e músicas clássicas, e uma outra que o Cebolinha, o Cascão e os pais deles vão ao shopping assistir ao filme do Ursinho Bilu). Ganhei um CD Globo Hits lá pelos oito anos por conta da assinatura. Tinha a música Hit The Road, Jack no CD. Ainda tem, porque eu guardei e ouço de vez em quando. Sempre gostei desse CD.
O primeiro livro que eu li, aos cinco anos, na primeira série, foi Sem Pé Nem Cabeça, do Pedro Bandeira. Reli muitas e muitas vezes depois disso. Esses dias dei o livro pra minha prima de seis anos, porque não tem nada mais empolgante do que acompanhar criança começando a ler.
Aí um dia eu fui no McDonald's, quando meu limite era ir lá no máximo duas vezes por ano, e não pedi um McLanche Feliz (no meu tempo, aliás, os brindes não eram super articulados e futuristas, sempre vinha algum brinquedinho simples de plástico duro). Pedi um Big Mac.
E aí eu vi que não era mais criança.


Ps. Achei que não ia dar pra eu falar tudo isso em 140 caracteres no twitter, daí vem o post.

3 comments:

Ton-Kun said...

É, parte da infância de muita gente pode ser encontrada aí. Joguei muito mais Super Nintendo do que hoje jogo meu PlayStation 2, apesar da enorme diferença de jogos e capacidade de usar o controle. Também aprendi muito mais com desenhos e séries da Cultura e Castelo Rá-Tim-Bum. É, bons tempos, em que Internet era ferramenta da NASA e só víamos em séries e desenhos de ficção-científica. Mas diabos, cresci e agora sei como usar!

Fabiane Bastos said...

É não ia caber mesmo no twitter.

Realmente tem muita coisa da minha infância aí. Também via TV cultura (e Xuxa), ainda adoro Lois e clark (deus abençoe os DVD's). Vi carrossel todas as vezes q o SBT reprisou, ficava frustada por meu telefone ser de disco e por isso não poder jogar c/ o Hugo. Meu nintendo era o NES, mas velinho mas tinha um filme sobre ele. E ainda tenho meus gibis da turma da mônica colecionados em 10 anos de assinatura.

Bons tempos, boas coisas...

Anonymous said...

Gostava muito de Doug, mas o resto eu não curti por incompatibilidade nas variáveis espaço-tempo.

Gosto de House e me pergunto se vc chegou a assitir um seriado chamado "Anos Incríveis"...