Thursday, May 28, 2009

Homenagem final às Oportunistas

As Oportunistas do Ônibus sumiram. Todas elas. Nem mesmo a Aprendiz de Oportunista restou, e a carreira dela foi tão curta que nem deu tempo de eu postar no blog sobre ela.

A última vez que vi a Segunda Oportunista do Ônibus ela estava grávida. Muito grávida, quadrigêmeos-no-último-dia-da-gestação grávida. Eu estava no ônibus, e pela janela a vi no ponto, fazendo sinal para que um outro ônibus de outra linha parasse. Deve ter se mudado, e considerando que faz meses que não a vejo, imagino que esteja feliz criando seu(s) (muitos) pimpolho(s) como bons oportunistinhas.

Quanto à minha velha amiga, Primeira Oportunista, quando comecei a trabalhar nós passamos a voltar pra casa no final da tarde no mesmo ônibus também. Nada como duas doses diárias de oportunismo. Mas eu fui feliz por um tempo com essa nova situação, porque se de manhã eu pegava o ônibus primeiro, garantindo o lugar que ela ocuparia logo que eu saísse, à noite meu ponto de descida era um depois do dela. Poucas coisas me deram tanta satisfação vingativa quanto poder manter um ar superior toda vez que ela entrava no ônibus depois de um longo dia de trabalho e lembrava que eu não estava ali garantindo um lugar para ela, mas sim o ocupando.

Depois de algumas semanas assim, ela desapareceu. Desse jeito, sumiu. Nunca mais vi, não sei por onde anda, não sei se passou a enfiar a bolsa na cara de outra pessoa em outro ônibus. Às vezes eu quase sinto saudade dela.
Mas não, não sinto.



Se alguém acha que eu falo mais que o normal sobre ônibus aqui, esclareço: eu pego ônibus cinco vezes por dia.