Friday, January 30, 2009

Eu tenho um sonho.

Eu sonho com coisas bizarras. Dessa vez fui ao show da Madonna.
Eu poderia parar a narrativa por aqui, já seria bizarro o suficiente eu ir a um show da Madonna, mas ainda piora.

Fomos eu e a Versão para o show, que aparentemente era um evento que durava horas, as pessoas iam, faziam lanches, passavam o dia todo ali rindo e conversando e comemorando alguma coisa. Espero que alguma coisa além da vinda da Madonna, mas tudo bem. Era um evento tipo o jogo de Harvard e Yale no episódio de Gilmore Girls. Enfim.
Estávamos ali no estádio, no ponto mais distante possível do palco. Sério. Nem um super-telão ajudaria em alguma coisa, de tão longe que era. Em meio aos comes e bebes, eis que olho para o lado e vejo um bebê. Parado ali, quietinho, sozinho. Alguém tinha abandonado um bebê ao meu lado. Tá.
Acabou o show, e a Versão e eu voltamos pra casa. "Que casa?", pergunta ela, fora do sonho. Sei lá, a gente morava na mesma casa. Nós e metade da família de cada uma. Era muita gente. Naquela madrugada eu voltei ao estádio para buscar as coisas que tínhamos deixado ali, sabe-se lá o motivo. Encontro o mp4 da Versão jogado no chão, olho pro lado e vejo o bebê. Sim, nós tínhamos esquecido o bebê abandonado no estádio. Tipo, eu não tô acostumada a ter bebê pra carregar pra onde eu for, aí sei lá, esqueci. Normal. Mas voltei e lembrei de pegá-lo dessa vez, vejam bem que pessoa legal eu sou.
Quando ia saindo do estádio com a criança no colo, um homem muito sombrio veio me dizer que eu não deveria estar ali essa hora. "Por quê?", pergunto. "Porque eles estão matando todos os descendentes da Madonna no Brasil!", sussurra o homem.

É. Um grupo desses secretos underground revoltados com o mundo queria matar a descendência da Madonna. No Brasil. Sei lá o que meu subconsciente captou nos últimos dias.

Voltando ao sonho. Descobri quem era a mãe do tal bebê. Era uma descendente da Madonna no Brasil, e iam matá-la assim que a encontrassem. Querendo evitar a morte de seu precioso rebento (sei lá, fui tomada por um surto literário agora), a mulher abandonou o filho para que algum não-descendente da Madonna no Brasil o levasse para algum lugar seguro. Algo meio Moisés, só que acrescentando a parte da Madonna. Sei lá.

Aí sem mais nem menos eu acordei e fiquei sem saber o final. Droga.

Ah, sim. O nome do menino era Maria João.
Como eu já disse, sei lá.

Sunday, January 25, 2009

E na viagem domingo à tarde...

Trânsito na serra, e toda a população da Argentina vindo pra Florianópolis. Por isso o trânsito na serra, aliás.
Viagem entediante de três horas. Calor. Carro sem ar-condicionado, ou seja, barulho de vento na janela o tempo todo. Chega uma hora que se pode até fechar os vidros, mas o barulho continua ali. No cérebro. Nas profundezas da alma.
Irritação.

Mas é aí que, de repente, o dia se ilumina.

- Gente, eu tô vendo certo a placa daquele carro ali? É FDP mesmo?

É.
A placa do carro argentino à frente era "FDP - Algum número irrelevante".
Um argentino FDP.
Um argentino lerdo pra dirigir FDP.

Ou seja, foi ótimo quando o motorista enrolou pra ultrapassar um caminhão no único lugar que se podia ultrapassar, porque aí minha mãe e eu, em coro, berramos: "vaaaaai, FDP!"

Essas coisas alegram minha vida.

Friday, January 23, 2009

Informação?

Chego no trabalho e abro a Gazeta Mercantil. É uma ótima oportunidade para me manter informada, logicamente. Tirando alguns pequenos atrasos como ler "Frio lança ameaças laranjas à Flórida" em vez de "Frio ameaça laranjais da Flórida" e aí ficar confusa por frações de segundo tentando entender que porcaria são ameaças laranjas, estava indo tudo muito bem, obrigada.

É aí que chego à humilde página de esporte no jornal.
Título: "Ronaldo mostra o fenomenal valor de R$ 15". Oi?
Linha fina: "Com dinheiro para freqüentar os melhores salões, craque, humilde, optou por pagar pouco". Sério?

Como se eu já não estivesse achando absurdo o suficiente uma matéria na Gazeta Mercantil sobre o preço do corte do cabelo da criatura, e o apelo emocional digno de musiquinha de fundo sobre a infância pobre do jogador, que na época "pensaria duas vezes antes de pagar R$ 15 por um corte de cabelo", de repente o jornalista começou a dar dicas de coisas legais que podem ser feitas pela bagatela de 15 reais.
"Apreciar o pôr-do-sol no Forte de Copacabana tomando um chá da tarde e comendo um doce ou salgado também é possível", ou "para conferir as exposições sazonais e o acervo fixo do local (Masp), o visitante desembolsa - na mosca - R$ 15." Viu? Na mosca, amiga.
Aí o texto continua falando sobre "programas 'verdes'" no zoológico e "festinha privada entre amigos", e não se sabe mais o que o Ronaldo (que por acaso "diminuiu o volume do cabelo e teve as laterais raspadas", vejam só como eu fiquei mesmo bem informada) está fazendo na matéria.

Mas como se não fosse o suficiente, aí vem o que pra mim é o ponto alto do texto: "Por fim, se gastar não é a intenção, os investidores de plantão podem aplicar os R$ 15 na poupança, que rendeu 7,90% no ano de 2008. Se o rendimento se mantiver estável até janeiro de 2010, é possível que os R$ 15 virem R$ 16,20 - com esse R$ 1,20 a mais, além do cabelo cortado, ainda sobra um pouco para o gel."

Na Gazeta Mercantil! Na editoria de esporte!

(Pausa.)
Tá. Acalmei.

Aí o Ronaldo é resgatado na matéria com um "independentemente disso", e o texto termina em "agora, a esperança dos corinthianos é que ele continue o mesmo craque daqueles idos tempos."

Vergonha alheia, sabe?

Thursday, January 22, 2009

Lanche musical

Ontem minha mãe chegou em casa com três caixas de barra de cereais pra mim. Porque eu gosto e é prático, não por eu ser uma pessoa ativa, bem informada, e preocupada em manter uma dieta saudável e equilibrada.
Enfim.
Fui olhar os sabores. Coco com chocolate, banana com chocolate (a parte que eu mais gosto é o chocolate) e sinfonia de nozes. "Sinfonia de nozes, mãe? Sinfonia? Sério?"

Sério.
Sinfonia de nozes.

Hoje comi, então, uma barra de cereais sabor sinfonia de nozes.
Confesso que fiquei decepcionada. Eu esperava algo musical, ou ao menos crocante a ponto de fazer algum barulho. É pra ser uma sinfonia!
Mas não.
Nem um sonzinho sequer.

Tuesday, January 20, 2009

Dicas União para uma vida melhor

Eu tenho mania de ler coisas. Todas elas. Inclusive sachês de açúcar. E foi lendo tais sachês que me deparei com pequenas sugestões de como ser uma pessoa mais feliz, e aí resolvi fazer um balanço da minha vida (menos) baseado nos sachês de açúcar. Me senti um ser muito patético depois dessa frase, mas vamos lá:

Plante uma árvore.
Hm. Eu plantei uma vez. Mas ela morreu. Conta mesmo assim? Será que eu devo plantar outra? Meus pais não vão gostar se eu simplesmente plantar uma árvore ali no quintal. Tá, talvez "plantar uma árvore" seja simbólico, tipo aquelas boas ações que as pessoas dizem que é uma árvore plantada. Não dizem? Ah, é semente? Tá, próximo sachê, vai.

Vá a mais lugares.
Ih. Adoro ficar em casa, quieta com um livro, ou jogada no sofá vendo um filme ou algum episódio repetido de série. Não quero ir a mais lugares, não.

Coma mais sobremesas.
É... tá. Já que isso vai deixar minha vida melhor, como sim. Bolacha recheada depois do almoço vale?

Dance mais. (ou "Dê mais morangos para a sua companheira", vide imagem abaixo)
Não sei dançar. Sério. É a coisa mais constrangedora do mundo eu tentando dançar.

Abrace mais amigos. (ou "Beba mais suco", vide imagem acima)
Isso significa fazer mais amigos. E fazer mais amigos é tããão trabalhoso. Eu gosto dos meus amigos, eles são legais.

Tire mais fotos.
Ah! Isso eu tenho feito, foi minha resolução de ano novo. Juro. Só que aí o carregador das pilhas estragou, então minha câmera está ali temporariamente abandonada e eu parei de tirar mais fotos. Sério, resolução de ano novo é uma coisa feita pra não dar certo. Dessa vez eu estava mesmo comprometida com a causa e aí o universo conspirou.

Apaixone-se mais vezes.
Como bem disse minha colega de trabalho esses dias: "aaaah não, apaixonar não! Dá muita dor no cérebro."

Resultado do balanço:
Meu estilo de vida seria severamente reprovado pelo Açúcar União. Sou uma pessoa triste e deprimente para quem convive comigo.

Ps. Eu scaneei (é assim o verbo?) os sachês de açúcar. Sério, usei durex, uma folha A4, e tesoura sem ponta, amiguinhos. É que minha câmera tá sem pilha, né. Patética essa vida.

Monday, January 19, 2009

Sobre inimigos mortais.

Eu tenho sérios problemas com pernilongos. Problemas que me levam a ficar pulando pelo quarto e aparentemente batendo palmas enquanto pulo, às quatro horas da manhã, e pensar em como minha existência é patética.
Pois bem.
Um dia minha mãe chega em casa com um presente pra mim: um lindo Mortein Rodasol Ação e Proteção 60 Noites!
Não calculei. Não sei se realmente durou 60 noites, mas o fato é que os pernilongos no meu quarto são mutantes. A seleção natural faz seu trabalho e os pernilongos se tornam momentaneamente imortais (sim, eu sei que isso é contraditório).
Tudo bem.
Apelo para SBP. Afinal, ele é terrível contra os insetos, contra os insetos (alguém me explica o eco?), deveria dar certo. Sim, dá certo, mas também dura pouco com os meus pernilongos, meus pernilongos. No final os infelizes já estavam tomando banho no spray pra aliviar o calor.
"Ah, é assim que vai ser?", pergunto aos meus inimigos mortais. Sim, pergunto mesmo. Se até com o chuveiro eu falo, por que não falaria com pernilongos?
Então tá.
Desencanto o ventilador (literalmente, ele estava num canto do meu quarto, mas isso não é informação necessária) (tá, nada desse post é necessário, mas adivinhem, bebi café) e o deixo em um lugar estratégico.
Coloco o meu super ultra Mortein Rodasol Ação e Proteção 60 Noites! na tomada, passo o SBP terrível contra os insetos, contra os insetos no quarto todo, e ligo o ventilador de forma que os pernilongos mutantes tenham que voar contra o vento para chegar em mim.
Ah, agora sim.

Acordo com uma picada de pernilongo no cotovelo.
Desisto.

Wednesday, January 14, 2009

" - "

PS do post anterior: Não, eu não vou escrever "joias" e "micro-ondas".

Eu sou muito extremamente anti-----reforma ortográfica.
Vou usar hífen, trema, acento circunflexo e acentuar ditongos abertos até a morte!

Tá, menos. O lugar que eu estiver trabalhando que resolve até quando eu posso usar. Mas meu humilde blogzinho, se por acaso sobreviver até lá, vai entrar em 2014 cheio de hífens.

Tuesday, January 13, 2009

Sobre o que realmente importa.

"Marcelo roubou minha alma, meu sentimento e muito mais. Levou jóias, perfumes e até um microondas que estava na caixa!"
- Susana Vieira, obviamente.

Ora, como ousa, Marcelo!
A alma e o sentimento tudo bem, coisas frívolas, mas o microondas? Não podia ter deixado o microondas?

As páginas amarelas da Veja estão deprimentes.
A foto de uma Susana Vieira feliz e sorridente como imagem de fundo para a lamentação pelo microondas, mais ainda.

Por que mesmo eu inventei de olhar essa revista hoje?

Thursday, January 08, 2009

O Grande Irmão está... falando comigo no telefone.

Hoje, no trabalho, ligo para uma empresa.

Mulher: Empresa Tal, boa tarde, Isabel.

Travo.
Como assim ela sabe que esse é meu nome? E como ela sabe que eu que estou ligando?
Olho para os lados desconfiada, ninguém me observa.
Tem bina? Não, mas só identificaria o número. Então é um aparelho que identifica número e nome de quem está ligando? Mas esse telefone nem é meu, é da Grazi! Que falta de privacidade, não quero que ela saiba que sou eu que estou ligando. E se todas as pessoas do mundo começarem a saber que sou eu do outro lado da linha?

Ah, é. Após esses segundos de terror, lembro que eu não sou a única Isabel do planeta.

Ps. Sim, eu tenho mania de perseguição. Não ligo webcam porque tenho medo que aquilo esteja transmitindo pro mundo inteiro. Aliás, não deixo a webcam nem desligada perto de mim. Quem garante?

Wednesday, January 07, 2009

Vamos brincar de ignorar acentos?

Do ônibus vejo a vitrine de uma loja.
Cartazes de desconto:

Blusas de verão - 50%
Bolsas - 40%
Biquinis - 50%
Bones - 20%

Olha só, agora eu já sei onde posso comprar ossos com 20% de desconto à vista!

Com ou sem o abominável acordo ortográfico, "boné" ainda tem acento, gente.

Tuesday, January 06, 2009

Trabalho digno

Ontem minha perspicácia me levou a revirar o lixo.

Meu trabalho como estagiária implica em vários servicinhos agradáveis, como conferir uma lista 300 prefeitos em etiquetas, depois cruzar as informações com outra lista, para separar os prefeitos eleitos dos prefeitos reeleitos e reparar se algum estava faltando ou repetido.

Pois bem.

Encontrei, sim, alguns problemas, e joguei fora as etiquetas erradas. Foi aí que lembrei de checar outra coisa, fiz uma pesquisa toda complexa (mentira, mas seria enrolado demais contar aqui) e descobri outros problemas além daqueles que eu devia procurar. Comentei com a minha chefe (ou a chefe mais imediata, já que todo mundo pode ser considerado meu chefe ali: é estágio, né) e ela gostou do que eu fiz, me elogiou e tudo mais. Fiquei feliz e me sentindo a funcionária do ano (menos), e aí, claro, lembrei que para corrigir esse novo problema, precisaria daquelas etiquetas que tinha jogado fora.

Então, sim, enquanto eu revirava o lixo atrás das tais etiquetas, eu pensava em como a vida é irônica.


Ps. "Revirar o lixo" parece mais nojento do que foi, na verdade. Lixeiro de escritório só tem papel sequinho e uma ou outra embalagem de pé-de-moleque.

Sunday, January 04, 2009

Post ignorável.

Se tem uma coisa que eu gosto de fazer é drama exagerado.
Tá, tem muitas outras coisas que eu gosto mais de fazer do que drama, mas eu bebi muito café de novo e é possível que eu nunca mais pare de discursar sobre quais coisas eu gostaria mais de fazer do que um drama exagerado, até a parte que eu começaria a falar sobre como eu sempre quis ter um cavalo e me senti menos pior com isso quando descobri que a Lorelai de Gilmore Girls também queria muito ter cavalos e realizou o sonho dela quando já tinha uns 35 anos, e aí eu discorreria sobre o fato de me sentir vazia por me espelhar tanto em personagens de séries, mas aí chegaria à conclusão de que não posso fazer nada se a Lorelai é tão ótima e, dane-se, eu gosto mesmo quando tenho coisas em comum com ela, e logo depois disso eu acabaria percebendo que já até esqueci o motivo de ter começado esse post falando sobre drama exagerado, e aí isso tudo perderia o propósito.

É, eu devia parar de beber café (ou de tentar postar alguma coisa quando tem cafeína demais em mim).
_

Sabe quando você viaja, vê e ouve várias coisas bizarras e o que você mais pensa é "nossa, preciso postar isso no blog quando voltar pra casa", mas aí quando finalmente volta pra casa esquece todas as coisas sobre as quais queria escrever?
Pois é.

Friday, January 02, 2009

Para começar bem o ano

Dois de janeiro.
Sexta-feira.
As ruas estão vazias.
O mundo está parado.
E aqui estou eu, diretamente do meu computador no trabalho, "trabalhando".

Olho pra parede à minha frente.
Na sala ao lado, a colega de trabalho retoca a maquiagem.
Brinco com a cordinha do guarda-chuva.
Acabo com um pacote de Mentos.

Já é de conhecimento público que todas as pessoas acham que eu tenho 13 ou 14 anos, no máximo. Então hoje, aqui quietinha no meu computador no canto da sala, eu pareço a filha de alguma funcionária que não tinha onde me deixar essa tarde porque, logicamente, a creche não abriu - dois de janeiro, sexta-feira, queria o quê? - e então ela precisou me trazer junto para o trabalho, abriu o paint e está ali torcendo para que eu fique o maior tempo possível distraída com as formas geométricas e latas de tinta, enquanto ela tenta ligar para um escritório em Brasília, onde ninguém atende, claro, porque o mundo realmente está parado hoje.


Sabe tédio?
Pois é.