Friday, December 26, 2008

Lendo Agatha Christie:

"Gladys era uma loura hétero de modos alternativos."

Paro, assustada.
A Agatha não descreve personagens assim.
Mesmo porque, o que são modos alternativos no contexto e aparente relevância da tal personagem ser uma pessoa heterossexual? (Não quero saber, na verdade. Prefiro continuar inocente.)

Releio.

"Gladys era uma loura etérea de modos altaneiros."

Ah, sim.
Agora tudo bem.

Posso continuar a leitura.

Thursday, December 25, 2008

Direitos autorais

Mãe e eu conversando, insatisfeitas, sobre nossos respectivos narizes:

Mãe: O meu é batatudo. O seu combina com a sua cara.
Eu: Combina nada, o seu que combina.
Mãe: O seu combina sim.
Eu: Não combina.
Mãe: Cala a boca, eu tô falando que combina.
Eu: Eu que sei se combina, o nariz é meu.
Mãe: Mas eu que fiz.

Fiquei sem resposta.

E percebe-se que minha mãe e eu não conseguimos ter uma única conversa séria que não venha parar no blog.

Wednesday, December 24, 2008

Conversas pré-natalinas

Eu montando o pavê, minha mãe temperando o chester:

Mãe: o chester não vai caber na travessa que eu queria usar, acho que vou ter que colocar na fôrma de pizza.
Eu: a fôrma de pizza? Não tinha nada mais... digno?
_

Eu: é pra terminar na camada do creme branco ou preto?
Mãe: a última camada é de creme preto. Daí vai acabar nela, não tem nenhuma outra.
Eu: eu entendo o conceito de "última camada", mãe.
_

Eu: por que você tá salgando o chester temperado?
Mãe: ah, ele já vem temperado mas vai que é pouco tempero?
Eu: e se não for?
Mãe: é só um pouco de sal, não vai nem fazer efeito.
Eu: por que colocar então?
_

Mãe: ai, o chester não vai caber.
Eu: é desossado, esmaga ele.
Mãe: mas aí ele vai ficar muito apertado ali.
Eu: mãe, ele tá morto.
_

Minha mãe e eu colocamos nossos vestidos natalinos (?):

Eu: ah, que bonitinha, tá parecendo uma camponesa.
Mãe: tô, né? Eu gostei.
Eu: e eu sou o papel de parede do windows 95.

Tuesday, December 23, 2008

Sobre a dificuldade de se conseguir uma pamonha

Isso aconteceu há algum tempo e não sei por que não postei aqui ainda, mas enfim.

Meus pais e eu paramos em um desses postos de estrada porque a viagem era longa e tínhamos fome. Na verdade pouco importa o motivo de termos parado lá, mas paramos. Tá. Aí eu inventei que queria muito uma pamonha, porque vi uma plaquinha de "temos pamonha" e sou muito sugestionável. Sério, comerciais funcionam comigo. Eu e a Versão já fomos de trem pro McDonald's à noite porque vimos uma propaganda, e inclusive fomos psicologicamente assaltadas naquela ocasião. Mas isso não tem nada a ver com a pamonha, só que eu acabei de beber café. Devia postar alguma outra hora.

Concentre, Isabel.

Então. Fui, feliz e saltitante (menos) até o balcão, e pedi uma pamonha à moça. Diálogo:

Ela: Você quer pamonha doce ou salgada?
Eu: Doce.
Ela: A gente só tem salgada.

Silêncio.
A minha expressão dispensava comentários.

Eu, quando consegui: Então eu quero salgada.
Ela: Você quer quente ou congelada?
Eu: Quente.
Sim, ela: A gente só tem congelada.

Juro que eu não sabia o que fazer. Queria rir, mas queria chorar também. Fiquei parada olhando pra cara da moça, e ela olhando de volta pra mim. Isso me deixa chocada, mas eu acho que ela não percebeu quão ridícula era a situação. Deprimente.

Mas enfim, peguei minha pamonha salgada congelada e seguimos viagem.

Monday, December 22, 2008

Medos infundamentados I

Essa madrugada eu fui tomada por um medo súbito muito grande de areia movediça.
Imagina só, você está andando tranquilamente pela... selva, e de repente é sugado pelo chão. Deve ser horrível. Pouco me importa que garantam por aí que os filmes são exagerados, que é só a pessoa não se mexer muito e tentar boiar, que geralmente só chega a um metro de profundidade e tudo mais.
Sou muito influenciável, e na minha concepção areia movediça é algo terrivelmente mortal, e eu vou andar olhando muito bem onde piso de agora em diante.


É, insônia dá nisso.

Sunday, December 21, 2008

Injustiça familiar

Há algumas semanas...

Mãe: Filha, lava a louça.
Eu: Mas eu pintei as unhas hoje, vai estragar tudo.
Mãe: Fazer o que, né? Azar.

Hoje...

Mãe: Fi, eu jantei e deixei os pratos ali, tá? Não posso lavar porque pintei as unhas e vai estragar, então você lava.
Eu: ...

Tem muita coisa errada no mundo.

Uma dúvida:

Pernilongos não dormem?


Essa era a única coisa que eu conseguia pensar hoje às cinco da manhã, dormindo em pé no meio do meu quarto tentando matar um mosquito infeliz.

Saturday, December 20, 2008

Músicas que eu passei o dia cantando:

Friday I'm in Love - The Cure
Naked - Avril Lavigne
La Primavera - Vivaldi (nada como cantar música clássica com tã-nã-nãs)
He Don't Love You Like I Love You - Daniel Bedingfield (tadinho, ele é tão sem graça e a irmã dele é tão legal)
Can't Take My Eyes Off You - versão da Gloria Gaynor
Pacato Cidadão - Skank
Yellow Submarine - Beatles

Nessa ordem.
Acho que acordei eclética.

Como assim?

Se tem uma coisa que eu nunca vou entender é a mania das pessoas de dizer "um beijo no seu coração". Tipo, oi? Tem tanto lugar pra beijar (certo, essa frase pode ter ficado duvidosa e parecer comprometedora, então não vamos entrar nesse mérito por hora - ou nunca, mas tá, desviei do assunto já), vai mandar beijo no coração? Eu sei que não é pra fazer uma interpretação literal disso, mas imagina que nojo. Ficar beijando órgãos. Por mais vitais que eles sejam, eca.
E se for metaforicamente falando, o coração se torna algo abstrato e não palpável, então não se pode beijá-lo.

Já fico incomodada quando as pessoas estão juntas e na hora de despedir falam "beijo!" de longe. Tá do lado, pra que só falar? Isso é coisa pra final de conversa no telefone, msn, coisas distantes do tipo. Mas ainda é menos pior que o beijo no coração.

No escritório esses dias uma mulher falou: "que Deus beije seus corações" nesse Natal ou algo assim. Tudo bem que é Deus, mas sério, o ato de beijar o coração é inconcebível pra mim.
_

Eu estava com saudade de ficar extremamente incomodada e revoltada sem motivo com alguma coisa aleatória que não vai me levar a lugar algum.
Reclamar é legal.

Friday, December 19, 2008

Sério, eu devo ter ouvido errado.

- Alguém me dá carona até o presídio?

- Em Timbó tem a Associação dos Pedófilos.

- Vários assuntos devem ser tratados por epilepsia.

- O que que é Cher?

- How I muscle weed. (Não saiu a letra dessa música na internet ainda e enquanto isso eu vou continuar cantando assim.)

- Esse tipo de produto que é a Letícia.

- Tu vai parir na Champs-Élysées. (Pior que essa eu ouvi certo, minha professora meio alternativa que disse.)

Tuesday, December 16, 2008

Sobre simpatia e baleias

É fato: não gosto de pessoas simpáticas demais.
Simpatia moderada tudo bem, não me incomoda, mas há casos extremos.
Fui a um restaurante com a minha tia hoje e o caixa era um tanto feliz. Até a parte do "boa tardeeee" gritado, cheio de exclamações e seguido de um sorriso gigante, eu só achei divertido. Mas quando minha tia falou que ia pagar com cartão de débito ele respondeu com um "ÓTIMO!!!" muito feliz e assustador. Imagino que se ela tivesse dito que pagaria em dinheiro ele teria subido na mesa e comemorado.
_

Sim, eu ainda estou lendo Moby Dick. É que tive que fazer uma pausa no final do semestre porque me pareceu humanamente impossível fazer todos os trabalhos e provas e ainda concentrar em uma caçada a baleias. Só que durante essa pausa eu passei em um sebo e encontrei O Grande Gatsby muito barato, então minha compulsão por livros não me deixou escolha. E aí eu passei em uma livraria esses dias e achei um livro barato da Ruth Rendell, ou seja, quando terminar de ler o retrato pessimista da sociedade de uma época, devo intercalar baleias e crimes, de acordo com o meu humor.

Eu podia ter parado na primeira frase.

Amor de mãe

Eu: Mãe, eu tô gripada. Tô com dor de garganta, dor de cabeça, e hoje acho que tava meio febril uma hora.
Mãe, de costas pra mim: ...
Eu: E você não tá nem ligando, né?
Mãe: Eu não, você é maior de idade, trabalhadora... se vire.

Quanto afeto.

Thursday, December 11, 2008

Discussões domésticas

Eu guardava a comida na geladeira após a janta. Minha mãe lavava a louça. Perguntei a ela se podia guardar os pedaços de manga que tinham sobrado naquele mesmo prato onde eles estavam. Ela disse que não, eu devia colocar em outro pote. Argumentei que em vez de ela lavar um prato agora e um pote amanhã, seria mais prático lavar só um prato no dia seguinte. Ela insistiu que eu colocasse os pedaços de manga em outro pote.

Eu: Affe mãe, você é muito teimosa, pelamor.
Mãe: Você tem por quem puxar então, né?
Eu: Eu? Eu não, eu sou um anjo.
Mãe, com toda a ironia que uma pessoa pode exprimir no tom de voz: Ah, é.
Eu: ...
Mãe: Nossa. Esse meu "ah, é"...
Eu: É.
Mãe: Eu exagerei na ironia, né? Só percebi depois que falei. Desculpa.
Eu: Tá, né. Mas você sabe que vai pro blog essa.
Mãe: Sei.

Ah, rotina.
E coloquei os pedaços de manga no outro pote.
Teimosas ou não, minha mãe ainda manda na casa.

Tuesday, December 09, 2008

Simpática ao extremo

Estava no centro de Florianópolis hoje no começo da tarde esperando dar a hora pra eu ir a uma entrevista de emprego, e como fazia muito calor fui tomar um sorvete. Esperava ali a minha vez, quando uma moça parou ao meu lado.

Ela: Você tá na fila?

Eu, mentalmente: Não. Eu estou parada aqui sob o sol escaldante da uma da tarde, correndo risco de adquirir um câncer de pele, porque vi essa aglomeração de pessoas aqui e eu adoro seguir as massas.

Eu, verbalmente: Estou =)


Adoro meu bom humor.

Tuesday, December 02, 2008

[inserir título aqui]

Eu adoro andar de ônibus. É um lugar tão interessante.
Agora pouco, por exemplo, eu estava ouvindo uma mulher falando (muito alto) para o homem sentado ao seu lado:

- "E impõe limite nessas crianças", eu disse. Por isso mesmo eu não tenho filho. E eu não cuido nem dos meus sobrinhos, vou cuidar de filho de outro?? Pra mim não custa nada levantar e arrancar a orelha de um.

Ainda bem que ela não teve filhos, eu diria.
E as orelhas dos sobrinhos dela agradecem.

_

Não, eu não sei fazer títulos.
Aceito sugestões.