Sunday, November 23, 2008

Das pequenas tragédias pessoais

Estou me sentindo uma hipocondríaca.

Contei hoje o número de remédios que tenho tomado/passado/feito bochecho com/usado nas últimas três semanas: dez. Tem bulas espalhadas pela minha cômoda. Eu tenho usado a palavra "posologia" com naturalidade.

Aftas.
Eu as odeio.
Se eu tivesse dedicado as últimas três semanas à escrita de um romance deprimente, o personagem principal teria morrido de afta. Ele e toda a população de uma cidade, seria uma epidemia.

Aparentemente, um período (longo) de stress, combinado com algumas (várias) noites mal dormidas e alimentação levemente (tá, bastante) defasada, podem fazer um estrago em um ser humano. Eu culpo a faculdade.
De qualquer forma, minha imunidade baixou, e cinco lindas e saudáveis aftas surgiram de repente, não permitindo que eu me alimente nem durma direito, por três semanas. Três. Eu usei um canudo para tomar sopa Vono, pelo amor de Deus. Ou seja, minha imunidade não sobe porque não tem como subir, e sendo assim as aftas sentem-se muito bem instaladas e confortáveis ali, obrigada.
Eu pensei em arrancar minha língua fora - uma afta a menos. Mas não, isso seria me entregar. Sem levar em consideração que talvez, só talvez, fosse doer mais que a coleguinha afta já faz doer.

Mas eu estou me adaptando. E daí que eu fico ofegante depois de tomar um prato de sopa consistente de feijão usando um canudo fino? É um mero detalhe. E daí que eu não aguento mais ver purê de batata na minha frente? E daí que eu demoro duas horas e meia pra terminar de tomar um iogurte (que por sinal eu detesto)? E daí que eu estou alucinando com milho cozido de praia cheio de sal?
Estou pensando nas inúmeras lições que posso tirar dessa situação. Por exemplo, vou passar a valorizar muito mais os talheres - são utensílios belos e o uso deles é um privilégio; sinto saudades. E nunca mais vou achar que um prato de arroz puro é pouca coisa. Isso sem mencionar as lições práticas, como comer com um lado da boca apenas. Estou considerando seriamente uma especialização quando eu melhorar: quem sabe eu não consiga mastigar alimentos salgados de um lado da boca e doces do outro, ao mesmo tempo? Economizaria tempo.

Só não é muito divertido quando se tem uma mãe como a minha. Hoje ela espetou um pedaço gigante de manga com um garfo, e disse "ó, morra de inveja" enquanto abria a boca o máximo que podia.

Mas são coisas normais da (minha) vida.

3 comments:

Thami said...

um dia.
B.

Rafa said...

Olha... sei como você se sente... arranquei dois dentes do siso (um em cada semana)... então fiquei duas semanas à base de purê de batata, polenta mole com carne moída... sorvete... MUITO SORVETE, e polenguinho!!

Bel Humenhuk. said...

obrigada pela solidariedade, Rafa o/
eu não aguento mais ver purê de batata na minha frente.