Sunday, November 30, 2008

Em um domingo de faxina

Mãe: aoajsfoaaknalkshl.
Eu: mãe, eu tô ouvindo música alta e varrendo a casa, não vou entender uma palavra que você falar.

Alguns minutos depois...

Mãe: "mãe, eu tô ouvindo música alta", essa é uma frase inédita.
Eu: é?
Mãe: você não gosta de música alta.
Eu: eu gosto sim.
Mãe: não, você não gosta. Você nunca gostou de música alta.
Eu: não, você não gosta de música alta. Eu sempre ouço música alta quando tô sozinha.
Mãe: não senhora, você não gosta de música alta.
Eu: mãe ¬¬
Mãe: desde quando você gosta de música alta?
Eu: desde muito tempo, só que eu só ouço música alta quando tô sozinha em casa porque você não gosta.
Mãe: então como eu não sei que você gosta de ouvir música alta?
Eu: porque eu só ouço música alta quando tô sozinha, e quando eu tô sozinha você não tá comigo pra saber que eu tô ouvindo música alta, porque quando eu tô sozinha eu tô sozinha.
Mãe: ...
Eu: você sente que não me conhece mais, né?
Mãe: é, não tenho idéia de quem é minha filha. Passei a vida toda achando que você não gostava de música alta.
Eu: pois é, as pessoas nos desapontam.

Mais alguns minutos depois...

Mãe: já posso passar pano no seu quarto?
Eu: claro, se você não se incomodar com a música alta.

Minha mãe e eu não devíamos assistir a cinco episódios seguidos de Gilmore Girls.

Saturday, November 29, 2008

Férias, sono e tortura.

Estou decepcionada comigo mesma.
As férias começaram (dessa vez achei que isso não aconteceria nunca mais) e em dois dias eu já desrespeitei todas as minhas regras pessoais de começo de férias: lavei louça ontem, acordei sozinha hoje e levantei por livre e espontânea vontade às oito e meia da manhã, não passei o sábado de pijama e já estou com sono desde as dez da noite.
Me sinto tão velha.
Eu não podia ter feito nada no primeiro dia de férias, e já tinha que ter entrado no ritmo de acordar tarde e não dormir antes das três da manhã. Como vou fazer minhas maratonas de séries de madrugada se acordar às 8h e dormir às 22h?

Tem alguma coisa muito errada.

Pronto, meia-noite. Agora me sinto menos patética indo dormir.
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Meio minuto de Brazil's Next Top Model me faz querer bater a cabeça na parede até desmaiar e não ser obrigada a ver as cenas ridículas, a tensão forçada, as broncas (mal) ensaiadas, as caras e bocas e a futilidade embaraçosa.
Sério, vergonha alheia.
Juro que não é birra, eu até consegui rir nas (duas) vezes que vi America's Next Top Model, apesar de tudo.
Mas é que não precisava ser deprimente desse jeito.
Que coisa triste.

Tuesday, November 25, 2008

Passeios da mente III

Donut de chocolate, docinho, um prato de macarronada, um pote cheio de jabuticaba, resto de Ruffles, um mamão papaya e pão com queijo e maionese. Sem intervalo.

É que minha boca começou a parar de doer e eu tenho três semanas pra compensar.
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Mãe: Ah, é que quanto mais se fica parado, mais se fica parado.

Profundo, mãe.
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Já mencionei em algum outro post que as pessoas colam na prova de Ética?
É que eu vejo tanta ironia nisso.
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Moradores de Florianópolis e região sofrendo com a falta de água?
Sério?

Achei que o que faltava era sol.

Monday, November 24, 2008

Pequeno erro

O Jornal da Record acabou de deixar um milhão e meio de pessoas desabrigadas em Santa Catarina.

Pena que fazer a notícia ficar mais chocante não é sinônimo de alterar informações, certo?
Na verdade são 43 mil desabrigados, e um milhão e meio de atingidos.
Um erro assim me custaria uns cinco pontos na aula de Telejornalismo. E ainda levaria uma bronca sobre a perda de credibilidade que meu texto sofreria com isso.


Mas enfim, continua chovendo.

Sunday, November 23, 2008

Das pequenas tragédias pessoais

Estou me sentindo uma hipocondríaca.

Contei hoje o número de remédios que tenho tomado/passado/feito bochecho com/usado nas últimas três semanas: dez. Tem bulas espalhadas pela minha cômoda. Eu tenho usado a palavra "posologia" com naturalidade.

Aftas.
Eu as odeio.
Se eu tivesse dedicado as últimas três semanas à escrita de um romance deprimente, o personagem principal teria morrido de afta. Ele e toda a população de uma cidade, seria uma epidemia.

Aparentemente, um período (longo) de stress, combinado com algumas (várias) noites mal dormidas e alimentação levemente (tá, bastante) defasada, podem fazer um estrago em um ser humano. Eu culpo a faculdade.
De qualquer forma, minha imunidade baixou, e cinco lindas e saudáveis aftas surgiram de repente, não permitindo que eu me alimente nem durma direito, por três semanas. Três. Eu usei um canudo para tomar sopa Vono, pelo amor de Deus. Ou seja, minha imunidade não sobe porque não tem como subir, e sendo assim as aftas sentem-se muito bem instaladas e confortáveis ali, obrigada.
Eu pensei em arrancar minha língua fora - uma afta a menos. Mas não, isso seria me entregar. Sem levar em consideração que talvez, só talvez, fosse doer mais que a coleguinha afta já faz doer.

Mas eu estou me adaptando. E daí que eu fico ofegante depois de tomar um prato de sopa consistente de feijão usando um canudo fino? É um mero detalhe. E daí que eu não aguento mais ver purê de batata na minha frente? E daí que eu demoro duas horas e meia pra terminar de tomar um iogurte (que por sinal eu detesto)? E daí que eu estou alucinando com milho cozido de praia cheio de sal?
Estou pensando nas inúmeras lições que posso tirar dessa situação. Por exemplo, vou passar a valorizar muito mais os talheres - são utensílios belos e o uso deles é um privilégio; sinto saudades. E nunca mais vou achar que um prato de arroz puro é pouca coisa. Isso sem mencionar as lições práticas, como comer com um lado da boca apenas. Estou considerando seriamente uma especialização quando eu melhorar: quem sabe eu não consiga mastigar alimentos salgados de um lado da boca e doces do outro, ao mesmo tempo? Economizaria tempo.

Só não é muito divertido quando se tem uma mãe como a minha. Hoje ela espetou um pedaço gigante de manga com um garfo, e disse "ó, morra de inveja" enquanto abria a boca o máximo que podia.

Mas são coisas normais da (minha) vida.

Tuesday, November 18, 2008

Como assim?

Hoje foi um dia muito, muito estranho no ônibus.

Pra começar, quando eu entrei no ônibus a Segunda Oportunista já estava lá, sentada, confortável. O ponto dela é dois à frente do meu, ou seja, ela pegou o ônibus pelo menos um ponto antes de mim. Não fosse ela merecedora do título de Segunda Oportunista do Ônibus, eu nem cogitaria a hipótese de ela ter caminhado três pontos para ficar em vantagem. Mas é impossível prever o que essas moças são capazes de fazer para conseguir um lugar para sentar.

Distraí um bom tempo com esses pensamentos, até ser interrompida pelo sol forte que de repente bateu na minha cara através de uma janela do lado oposto do ônibus e me deixou cega por frações de segundo. Foi aí que eu pensei: "Bem que a Primeira Oportunista podia estar do meu lado e servir de cortina".

Parei.

Cadê a Primeira Oportunista? Todos os dias ela está em pé ao meu lado com a bolsa enfiada na minha cara, e hoje ela não estava ali. Fiquei desconcertada por alguns momentos. Ela estava parada ao lado de outra passageira (que eu nunca tinha visto nesse ônibus e que por acaso desceu um ponto antes de mim; a Primeira Oportunista tem um poder de observação extremamente aguçado, eu até a respeito por isso).

Isso me incomodou o dia todo.

Sunday, November 16, 2008

1) Circule o item que não pertence ao grupo:

Passa a propaganda de algum produto da Dove e ao final eu ouço:

"Pepino com chaveiro."

Novos componentes.
Hm. Digamos que é... alternativo.
Até tento formular alguma teoria bizarra mas desta vez realmente não tem como.
Pepino e chaveiro são coisas que simplesmente não combinam. Não consigo estabelecer nem alguma relação altamente duvidosa entre os dois.

É preciso me render:

- Mãe, eu entendi 'pepino com chaveiro'...
- 'Pepino com chá verde', filha.

O meu problema deve ser com comerciais de desodorantes e cremes e coisas do tipo, só pode.

Friday, November 14, 2008

Só pode ser pessoal.

Minha inspiração acabou completamente mesmo, e daí eu não quis vir aqui e postar coisas muito mais idiotas do que posto geralmente, mas aí a Versão me obrigou agora a vir atualizar o blog, então tá.

Oi, Versão, tudo bem?
E a família, como vai?
Novidades? Que que tem feito da vida?

Mentira.
Não é mentira que ela me obrigou, ela obrigou de verdade, mas vamos fingir que eu tenho algo mais a dizer.
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Dia desses eu estava esperando a aula começar e precisava prender meu cabelo. Aquele horário o banheiro feminino já estava cheio, e eu odeio banheiro feminino cheio. Não gosto das conversas e do salão de beleza em que aquilo se transforma. Enfim.
Fui então discretamente usar o espelho do banheiro de deficientes. Nem acendi a luz porque não sei se é permitido que eu entre ali. Vai que alguém me vê e me acusa de não me adequar a algum quesito mínimo para poder entrar naquele espaço. Mas tudo bem, fui. Prendi o cabelo, ninguém me viu, saí, fui para a aula normalmente.
Na hora do intervalo uma lagoa havia surgido em frente ao banheiro de deficientes. Sério. Inundou o corredor inteiro, as pessoas quase tinham que nadar pra passar pro outro lado. E a lagoa ia aumentando e aumentando, e aí o pessoal da limpeza não conseguia secar o corredor, e depois de um tempo já tinha praticamente uma conferência ali pra descobrirem de onde vinha toda aquela água.

Nunca mais entro ali.
Vai que foi um sinal.

Monday, November 03, 2008

Entendendo comerciais

Estava assistindo a uma propaganda duvidosa de um desodorante que aparentemente não perde o efeito por 48 horas, e comentando com minha mãe e minha amiga que sei lá, mas eu prefiro tomar banho dentro do intervalo de 24 horas, porque me parece algo bem mais saudável, mas aí vai de cada um, claro, quando ao final do comercial ouço:

"Agora também contra a erosão!"

Desodorante contra a erosão... deve-se passar o desodorante na terra? Ou talvez todo o lucro das vendas do produto seja destinado a alguma ONG engajada no trabalho contra a erosão no... mundo. Ou... uma daquelas campanhas psicológicas do tipo "compre um desodorante e diga não à erosão!", ou... erosão emite algum odor desagradável e eu que não sabia?

- 'Agora também com aerosol', Isabel.

Ah bom.