Wednesday, August 13, 2008

Clássica

Toca o telefone da sala.

- Alô?
- Filha, tá em casa?
- Não.

Minha mãe não me conhece? Ela sabe que não pode fazer nenhuma dessas perguntas do quesito tolerância-zero pra mim. E essa é até muito batida, ela devia mesmo ter previsto.
Mas como eu sou realmente, bem, chata, eu não ia parar por aí. A conversa continuou até a despedida.

- ...daí vou passar no mercado e vou pra casa.
- Tá, mas você tem a chave?
- Ahn, tenho, por quê?
- Porque eu não tô em casa pra poder abrir o portão pra você.

Consegui sentir o ¬¬ do outro lado da linha.
Só quem recebe cara de ¬¬ como resposta muitas vezes por dia consegue sentir a vibração de um ¬¬ à distância.
É uma espécie de dom (ou falta dele, mas aí fica a critério de cada um).

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