Tá, eu não morri. Mas quase tive um colapso.
Tinha uma entrevista marcada às 8h15 da manhã hoje, looonge, muito longe da minha casa. Ou seja, eu e minha animada disposição matinal levantamos quando o primeiro número no relógio ainda era 5. Injustiças da vida.
Saí de casa antes de a minha mãe fazer café. Não, eu não poderia fazer café antes de sair. Lenta do jeito que eu sou quando acordo, teria que ter levantado às 4h, e aí não garanto que teria capacidade de postar no blog.
Ok.
Fui me arrastando pela rua até o ponto de ônibus, e passei por momentos de tensão quando vi que se aproximava a minha vizinha hiperativa e tagarela, daquelas pessoas simpáticas que adoram puxar assuntos complexos antes das 7h da manhã (por "assuntos complexos" entenda-se "oi, tudo bem?" e afins). Talvez agora ela ache que eu sofro de narcolepsia, mas o que importa é que eu consegui ir quietinha e sozinha no ônibus.
Cheguei no centro de Florianópolis lá pelas 7h15, sonhando com um capuccino do Bob's. Tolinha. O Bob's não está aberto às 7h15 da manhã. Passei os momentos seguintes parecendo uma andarilha perdida em busca de cafeína. Ignorei alguns lugares que eu já sei que o café é ruim por experiência própria, e lembrei de uma região com algumas cafeterias. Eba, vou até lá.
As cafeterias estavam fechadas. Todas. No momento do dia em que o ser humano mais precisa desesperadamente de cafeína.
E aí eu comecei a me desesperar, porque acordar às cinco e pouco, encontrar a vizinha hiperativa tagarela antes das sete, pegar ônibus lotado, e andar 40 minutos pra entrevistar um psiquiatra, sem ter ingerido cafeína, não é vida.
Acabei encontrando café numa lanchonete duvidosa, e agradeci muito a Deus pelo meu café ruim num copo de plástico pra viagem, sem tampinha.
Era cafeína, no desespero quem liga pro sabor? Fiquei até feliz.
E foi assim que eu quase morri hoje. Obrigada pela atenção.
Versão Twitter do post: "nossa, tava difícil encontrar café hoje de manhã, mas ficou tudo bem no final."
Às vezes eu sinto que falo demais.
Wednesday, October 28, 2009
Causa mortis: falta de cafeína
Wednesday, October 21, 2009
Comunicação não-verbal
Bel sobe em um banco de madeira para conseguir recolher a roupa (Bel é uma pessoa pequena e não consegue recolher a roupa sem subir em alguma coisa).
Nicole diz:
Bel responde: nem pense nisso.
_
Bel diz: Nicole, não!
Nicole diz:
Bel diz: ai, tá bom, sim._
Bel diz: Nicoooole, vamos tirar mais fotos?
Nicole responde:

Minha cachorra é tão expressiva.
Monday, October 12, 2009
#tuitesuainfancia
Fui uma criança que ouvia e gostava muito de música clássica. Aos três anos eu comuniquei aos meus pais meu desejo de fazer aulas de flauta, e aos cinco comecei. Com essa idade, queria ser contadora de histórias quando crescesse. Nunca quis ser professora. Eu assistia a programação da TV Cultura, e só descobri que o Professor Tibúrcio e o Telekid eram o Marcelo Tas muitos anos depois. Todas as minhas noções de direita e esquerda, em cima e embaixo, maior e menor vêm de Rá-Tim-Bum. O alfabeto também. Nunca aprendi com a Xuxa (e tive uma infância mágica mesmo assim, Davis).
Eu brincava de falar inglês, assistia Lois & Clark, Doug, Castelo Rá-Tim-Bum, As Aventuras de Tintim, Pingu e o Programa do Hugo. A única novela que eu vi na vida foi Carrossel, a antiga, nos bons tempos de Maria Joaquina e Cirilo. Eu subia em árvores, nadava no rio, acampava, tomava banho de cachoeira, nunca gostei de brincar de casinha e de boneca, e fazia guerra de bolinha da árvore sinamão com os meus primos. Sempre terminava quando algum de nós começava a chorar porque tinha levado uma na cara.
Jogava videogame no meu Super Nintendo, que ainda acho muito mais legal que qualquer PlayStation da vida. Tinha medo de mexer no computador e estragar alguma coisa, e me mantinha muito, muito longe da internet. Internet não fazia falta nenhuma pra criança. Bons tempos.
Comecei a aprender as letras em viagens, olhando as placas dos carros na estrada. Não gostava de Humenhuk, era muito difícil escrever isso. Fui só Isabel H. por muito tempo. Minha mãe me fazia conjugar verbos aos três anos. Eu gostava. Tinha assinatura dos gibis da Turma da Mônica, e uma vez por mês eu lia os cinco gibis em um dia só. Ainda sei quais são as minhas histórias preferidas (Uma Cebola Nua, com o Cebolinha e o Louco, Uma História Louclássica, com o Louco e o pai do Cebolinha, envolvendo compositores e músicas clássicas, e uma outra que o Cebolinha, o Cascão e os pais deles vão ao shopping assistir ao filme do Ursinho Bilu). Ganhei um CD Globo Hits lá pelos oito anos por conta da assinatura. Tinha a música Hit The Road, Jack no CD. Ainda tem, porque eu guardei e ouço de vez em quando. Sempre gostei desse CD.
O primeiro livro que eu li, aos cinco anos, na primeira série, foi Sem Pé Nem Cabeça, do Pedro Bandeira. Reli muitas e muitas vezes depois disso. Esses dias dei o livro pra minha prima de seis anos, porque não tem nada mais empolgante do que acompanhar criança começando a ler.
Aí um dia eu fui no McDonald's, quando meu limite era ir lá no máximo duas vezes por ano, e não pedi um McLanche Feliz (no meu tempo, aliás, os brindes não eram super articulados e futuristas, sempre vinha algum brinquedinho simples de plástico duro). Pedi um Big Mac.
E aí eu vi que não era mais criança.
Ps. Achei que não ia dar pra eu falar tudo isso em 140 caracteres no twitter, daí vem o post.
Friday, October 09, 2009
Post inútil.
Tem uma maçã verde se camuflando na parede do meu quarto.
Sem photoshop (até parece que eu sei usar esse negócio), juro.
Wednesday, September 23, 2009
Transtorno Obsessivo-Compulsivo e muitas focas mortas
Hoje li uma placa que dizia "experimentos para produção infantil".
Já estava imaginando respostas alternativas legais para a pergunta 'de onde vêm os bebês?' quando percebi que na verdade o que estava escrito era "equipamentos para proteção individual". Muito sem graça.
Apesar do meu histórico de ler tudo errado, acho que dessa vez foi culpa do cansaço mental.
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Tenho medo que as pessoas pensem que minha felicidade quando descubro alguém com TOC é sadismo. Juro que é só desespero, do tipo é-quase-outubro-e-eu-só-escrevi-1/8-do-meu-TCC.
Fiquei tão emocionada hoje quando meu orientador perguntou na aula dele se alguém conhecia pessoas com Transtorno Obsessivo-Compulsivo, e uns dez alunos disseram que sim.
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Acho que não tem nada na TV melhor que House M.D. no momento. Sério, é tão bom que até quando é bizarro dá aquela sensação de "melhor episódio que já vi". Legal mesmo é rir, chorar e berrar 'nãããããão!' durante um episódio.
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Estabeleci metas de TCC e prêmios ao alcançá-las. Poucas coisas me deixam mais agoniada do que ter um milhão de episódios de séries diferentes pra ver, e não poder. Por isso, quando eu tiver escrito 20 mil caracteres da minha reportagem, vou me dar de presente um dia só de séries. Enquanto isso, nenhum episodiozinho pra mim (a regra não se aplica a House, que isso fique bem claro).
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Sim, agora eu só sei falar sobre TCC.
Ah é, e sobre violino. Esses dias eu estava tentando tocar uma música, e tenho consciência de que às vezes o som parece o de uma porta rangendo e esmagando uma foca até que ela morra. Todos os dias eu mato várias focas, por sinal. A melhor tentativa da minha mãe de me consolar foi esperar eu largar o violino e dizer: "ai, filha, eu adoro você tocando flauta".
Thursday, September 10, 2009
Gordura alternativa
Sou uma pessoa muito magra (44kg, geralmente, com picos de 46). Não sou anoréxica, juro, só tenho estômago pequeno e metabolismo rápido em processar as toneladas de chocolate que eu como por dia. Mas hoje eu descobri onde fica toda a gordura do meu corpo: nas pontas dos meus dedos.
Eu sempre quis tocar violino, mas como tantas outras coisas que sempre quis fazer, nunca fui atrás. Nunca, até semana passada, que foi quando eu tive um surto e fui procurar professores, vi valores de mensalidade em lugares diferentes, descobri qual violino comprar, fiz pesquisa de preço e tudo mais. Cheguei em casa e convoquei meus pais para uma reunião familiar. Só dias depois fiquei sabendo que naquele momento minha mãe pensou que eu ia contar que estava grávida. Não estava grávida, só queria pedir patrocínio para as minhas aulas (porque, como eu já disse, sou uma estagiária desempregada e minha situação financeira é... inexistente).
Meus pais concordaram, e hoje eu tive minha primeira aula. Já estou me obrigando a apreciar a beleza de Brilha, Brilha Estrelinha, coisa que eu não tinha que fazer desde que comecei a estudar flauta, 15 anos atrás.
Pois bem, voltando ao começo do post. Meus dedos são magros e finos (como todo o resto de mim), mas a ponta deles é gorda e fofinha, o que dificulta muito o processo de posicionar o dedo em apenas uma das cordas do violino, o que leva a outra corda, na qual eu não deveria encostar, a fazer um som horrível de algum animal morrendo. Alguém conhece uma dieta para a ponta dos dedos? Aceito dicas, e meu professor agradece.
Thursday, September 03, 2009
Tinha que ser ela
Às vezes minha mãe ataca com piadinhas que insiste em dizer que são complexas e inteligentes demais para a compreensão imediata.
Há algum tempo meus pais e eu (na verdade os pedreiros) estávamos construindo uma casa. Entre falta de dinheiro e meses seguidos de chuva, a construção empacava um pouco. Um dia, saindo daqui, quando 'aqui' ainda não era uma casa habitável, minha mãe comentou, pensativa: "é, somos nós e o Beethoven". Silêncio no carro. Olhei desconfiada para o meu pai, tentando identificar se ele tinha entendido o comentário, e me senti menos insegura quando percebi seu ar de interrogação. Perguntamos o que quis dizer, e ela, indignada com nossa aparente falta de conhecimento, explicou: "temos uma obra inacabada, gente!"
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Ontem à noite, minha mãe veio reclamar que quando comentou com seus colegas de trabalho que estava com dor nas costas porque o mp4 dela estava estragado, eles não entenderam a piada. Neurônios funcionando, olhar de expectativa da minha mãe, neurônios desistindo. "Hérnia de disco, filha. Eu tinha hérnia de disco, mas agora evoluiu e é mp4".
Ah.
